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Alice Jorge

[N. Lisboa, 1924 - M. 2008]

imagemEm Lisboa, onde viveu e trabalhou, Alice Jorge desenvolveu uma obra revelante, com um significado que se impôs no equilíbrio entre o compromisso com o seu tempo e um formulário plástico desenvolvido persistentemente durante todo o seu percurso.

Em Lisboa, onde vive e trabalha, Alice Jorge desenvolve uma obra relevante, com um significado que se impõe no equilíbrio entre o compromisso com o seu tempo e um formulário plástico desenvolvido persistentemente durante todo o seu percurso.. Tal como a maior parte da sua geração, trabalha numa época de grande agitação política e social que resulta numa produção multifacetada, marcada por uma grande proximidade com a realidade circundante. A partir de 1953 e durante toda a década, regista em gravura cenas do quotidiano, imagens do trabalho e do universo feminino, cuja extrema serenidade negaria, à primeira vista, o carácter contestatário e de denúncia neo-realista. Porém, é evidente nesse período, a filiação temática da sua obra com trabalhos notáveis onde a dignificação da vida das classes trabalhadoras é dominante.
A conselho de um professor de liceu, Jorge Valadas, que via já nos seus trabalhos um prenúncio da sua vocação artística, Alice Jorge frequenta a Escola de Artes Decorativas António Arroio, após a qual ingressa na ESBAL, onde recebe uma orientação académica que de imediato entra em choque com os seus objectivos, sendo nesse ambiente de desmotivação que frequenta o curso de Pintura (1946-54). O seu interesse pela rapidez de execução, expressividade da linha e libertação do traço vê-se aí confinado aos métodos de luz, sombra e volume, sistematizados pelo academismo. Em 1948 frequenta ainda a Escola do Porto na disciplina de Desenho Arquitectónico. Ao longo do seu percurso trabalha em Gravura, Desenho, Pintura, Azulejo, Vidros de Arte, Cerâmica e Tapeçaria.
Paralelamente à carreira artística, Alice Jorge desenvolve actividade pedagógica, ensinando Gravura, Pintura e Desenho. Após cursar Pedagogia (1952-53, na Faculdade de Letras de Lisboa) lecciona no ensino particular e oficial sendo demitida destas funções em 1955, por despacho ministerial, após uma denúncia pela «perigosa» actividade política que mantinha (auxiliava as famílias dos presos políticos). Volta a ser reintegrada em 1974.
Em 1953, nos arrozais do Ribatejo, participa da experiência desenvolvida por Alves Redol, Júlio Pomar, Rogério Ribeiro, Cipriano Dourado e Lima de Freitas. Em 1956, participa na organização da Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, cuja fundação marcaria a consolidação de todas as expectativas criadas em torno da técnica como meio expressivo e artístico. Desde os primeiros nus gravados, em 1955, Alice Jorge encontra um meio gráfico que lhe permite manter a afinidade com o Desenho, detendo a característica do apontamento em simultâneo com a espontaneidade do traço. Com uma grande sensibilidade expressiva, cedo atinge uma maturidade técnica que permite distingui-la como uma das personalidades importantes no movimento de renovação da Gravura portuguesa dos anos 50. Em 1958 instala-se no atelier na Praça da Alegria dos escultores Vasco Pereira da Conceição e Maria Barreira e de Júlio Pomar. São vários os apontamentos a lápis ou nanquim tomados ao longo desses anos e que Alice Jorge mantém, ainda hoje, como referências que demonstram a sua sensibilidade pelos aspectos mais profundos da arte, ao mesmo tempo que se mostrava comprometida com as manifestações mais fortes da modernidade, como que na procura de um novo entendimento do fazer artístico.

Exposições individuais (selecção)
1960 – Gravura e Pintura. Lisboa, Cooperativa Gravura.

Exposições colectivas (selecção)
1955 – Exposição de Artistas Plásticos. Lisboa, Galeria Pórtico.
1956 – Exposição de Artistas de Hoje. Lisboa, SNBA.
Gravura Portuguesa Contemporânea. Lisboa, Galeria Pórtico.
1957 – Exposição de Gravura, Pavilhão de Portugal. Feira ed Lausanne.
I Bienal de Gravura, Tóquio.
I Exposição de Artes Plásticas da FCG. Lisboa, SNBA.
1958 – I Salão de Arte Moderna. Lisboa, SNBA.
Exposição de Arte Portuguesa, Feira Internacional de Bruxelas.
Gravura Portuguesa. Suécia, Museu de Gotemburgo.
1959 – 50 Artistas Independentes. Lisboa, SNBA.
Exposição de Gravura Portuguesa. Madrid, Galeria Abril.
Salão da Jovem Gravura. Paris, Museu de Arte Moderna.
Gravura Contemporânea em Portugal. Roma, Calcografia Nacional.
1960 – Salão da Primavera. Lisboa, SNBA.
Exposição de Gravura Portuguesa. Estugarda.