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José Dias Coelho

[N. Pinhel, 1923 – M. Lisboa, 1961]

imagemJosé António Dias Coelho dedicou-se preferencialmente à escultura, mas também ao desenho, à pintura, fez incursões pela cerâmica e no trabalho com vidro. Realizou bustos de pessoas como o de Alves Redol, o de Margarida Tengarrinha, de Maria Isabel Aboim Inglez, de Maria Eugénia Cunhal, de Fernando Namora. O retrato assume na sua obra, um lugar de relevo. Os seus desenhos de traço fino são escorreitos, suaves, de um lirismo que comove. Limpidez e ternura são também os tons da sua pintura em que se adivinha sempre a procura de uma simplicidade de traço ou de cromatismo, ou seja, do essencial.
José Dias Coelho vai com dois anos para Coimbra, onde inicia a instrução primária. Dos 7 aos 15 anos vive em Castelo Branco, mudanças provocadas pela profissão do pai. O mesmo motivo leva-o a vir residir para Lisboa. É ainda estudante liceal, nas Beiras, quando faz as primeiras produções de desenhos e caricaturas. Na capital, de 1938 a 1941 vai terminar o Curso Geral dos Liceus, área de Letras, com média de 13,4 valores, primeiro no colégio Académico, onde tem ocasião de conviver com Abel Salazar, Bento de Jesus Caraça, Manuela Porto, Lopes Graça, Carlos de Oliveira, João José Cochofel, Keil do Amaral, Abel Manta e muitos outros, e depois no Gil Vicente. É naquele colégio que, numa exposição dos trabalhos anuais dos alunos, faz a sua primeira mostra e recebe referências elogiosas. Para poder ter acesso ao curso de oficiais milicianos matricula-se no INEF - Instituto Nacional de Educação Física, onde é colega do escultor Jorge Vieira. À noite frequenta as aulas de Desenho dos Mestres Falcão Trigoso e Paula Campos, na Escola de Arte Aplicada António Arroio, para habilitação a Belas Artes. Nessa altura conhece Francisco Castro Rodrigues, um amigo que vai marcar o seu percurso de vida. É com Castro Rodrigues que, em 1942, José Dias Coelho inicia a sua vida partidária, ligada à Federação das Juventudes Comunistas. Começam a discutir textos marxistas que lhes chegam por via clandestina e dedicam-se ao auxílio das famílias dos presos políticos. Matricula-se no curso de arquitectura na Escola de Belas-Artes de Lisboa, onde tem como colegas Júlio Pomar, Victor Palla, Vespeira, Fernando Azevedo, Rolando de Sá Nogueira, Frederico George, Jorge de Oliveira. Em 1944-45, presta o serviço militar em Tancos, interrompendo o curso, mas não se desligando do meio artístico e das tertúlias político-culturais. É um dos organizadores das Gerais, em 1946, e embora não integre a primeira vai participar, a partir do ano seguinte, em todas as Gerais nas secções de Escultura, de Desenho, e de Artes Decorativas. Nesse ano, adere ao MUD juvenil participando activamente daí para a frente nas lutas políticas estudantis. Termina o 1º ano de Arquitectura e resolve mudar para o Curso de Escultura. Chamado para prestar serviço militar como alferes miliciano, vai para o Porto, onde tem ocasião de fazer as disciplinas que completem o 3º ano de Escultura.
De regresso a Lisboa, continua a actividade política, sendo detido pela polícia política durante uns dias. Realiza, em colaboração com projectos de alguns arquitectos, esculturas para as Escolas do Val-Escuro e de Campolide, para o Café Gelo, para a Fábrica Secil no Outão, para uma moradia na Praia da Rocha, e fez uma pintura para a Casa Africana em Lisboa. Lecciona durante dois anos na Escola Industrial Machado de Castro, depois um ano na Escola Veiga Beirão, e um outro na Escola Francisco de Arruda que funcionava provisoriamente na Escola Marquês de Pombal, de onde é demitido em 1952 do seu lugar de professor do ensino técnico da por razões políticas. Pelas mesmas razões é expulso da ESBAL e proibido de ingressar em qualquer outra faculdade portuguesa.
Trabalha como desenhador com os arquitectos Keil do Amaral, Hernâni Gandra e Alberto José Pessoa. Colabora como ilustrador com a Vértice (desenhos para contos de José Cardoso Pires), desenha a capa do livro ‘O sol nascerá um dia’ de Alexandre Cabral. Realiza, com outros artistas, experiências em vidro e em cerâmica, na Marinha Grande e no Bombarral.
Em 1955, entra na clandestinidade, devido à sua filiação no Partido Comunista, colabora no jornal Avante e noutros periódicos, e escreve em conjunto com a mulher, Margarida Tengarrinha, o livro ‘Histórias da Resistência’.
Funcionário do PCP na clandestinidade, foi assassinado a tiro, pela PIDE, em Alcântara, em Lisboa. No dia 19 de Dezembro de 1961, ‘a morte saiu à rua (…), o pintor morreu’.
Recebeu a 3ª medalha em escultura no Salão da Primavera da SNBA, em 1949. O seu espólio artístico encontra-se no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira.

 

Exposições Colectivas:

1946
- Exposição ‘privada’ no atelier de Abel Manta

1947/56
- Exposições Gerais de Artes Plásticas, SNBA, Lisboa

1949
- Salão da Primavera, SNBA, Lisboa