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Júlio Pomar

[N. Lisboa, 1926]

imagemJúlio Pomar tem vivido e trabalhado entre Lisboa e Paris, onde se instalou em 1963 com uma bolsa da F.C.G. Dedicou-se especialmente à pintura, mas o seu trabalho inclui também obras de desenho, gravura, escultura e ‘assemblage’, ilustração, cerâmica, tapeçaria e cenografia para teatro.

Trabalhando essencialmente por ciclos artísticos, explorações temáticas que desenvolve durante um certo período, pode-se afirmar que o ‘movimento’ assume na obra de Pomar um papel primordial e constante, sendo uma marca da sua pintura; surge intermitente, agitado, contraditório, reflectindo, insistentemente, uma insatisfação interior e artística que se manifesta nos variados temas que tem escolhido ao longo da sua vida artística.
Aos 8 anos um escultor amigo da família levou-o a frequentar como aluno livre as suas aulas de desenho na, então, Escola de Arte Aplicada António Arroio. Na adolescência frequenta esta escola, onde se prepara para ingressar na Escola de Belas Artes de Lisboa, na qual é admitido em 1942. Neste ano participa numa primeira mostra de grupo. A sua permanência nesta escola é relativamente curta, ao fim de dois anos de frequência abandona-a, transferindo-se para a Escola de Belas Artes do Porto.
Ainda em 1945, Pomar expõe uma das suas obras paradigmáticas, ‘O Gadanheiro’ na SNBA. Mário Dionísio escreve a propósito um artigo intitulado "O princípio de um grande pintor?"
Pomar assume-se então como um opositor ao regime, promovendo a 1ª Exposição da Primavera no Ateneu Comercial do Porto, em 1946, onde se agrupam artistas que recusam qualquer colaboração com a ditadura salazarista. Para a decoração do Cinema Batalha naquela cidade é-lhe encomendado um grande mural, em 1946, mandado destruir pela polícia política poucos meses depois da abertura da sala ao público. Dirige, no Porto, a página de Arte no jornal ‘A Tarde’, tendo também colaborado com outros periódicos, nomeadamente na Seara Nova, na Vértice, no Horizonte, no Mundo Literário. Data de 1947, a realização da sua primeira exposição individual no Porto.
Interrompidos os seus estudos na ESBAP, por ser impedido de a frequentar por razões políticas, é preso pela PIDE durante quatro meses e, mais tarde, proibido de ensinar desenho numa escola do Ensino Técnico. Em 1947, Pomar regressa a Lisboa, onde exporia na II Exposição Geral de Artes Plásticas na Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, um dos seus quadros, intitulado ‘Resistência’, de 1946, e que seria apreendido pela PIDE. Além de ser um dos organizadores das Exposições Gerais de Artes Plásticas, expôs em todas, de 1946 a 1956, nas secções de Pintura, de Escultura, de Desenho, de Gravura, e de Artes Decorativas num total de mais de 123 obras.
Em 1948-1949 tinha começado a desenvolver experiências artísticas em escultura, em cerâmica, e com cartões para tapeçaria, exercendo um papel de influência e renovador nas modalidades de artes decorativas. É publicado um álbum com os 16 dos seus desenhos, com prefácio de Mário Dionísio.
Em 1950, realiza uma exposição individual na SNBA, em Lisboa, onde apresenta obras marcantes da pintura portuguesa do século XX, como O Almoço do Trolha, Menina com um Gato Morto, Varina Comendo Melancia ou O Cabouqueiro. Ainda com conteúdo neo-realista, estas obras prenunciam, pela marca do gesto na pintura, o início de um percurso autónomo que se irá progressivamente libertando das fórmulas enunciadas nos postulados da ideologia política que inicialmente tinham orientado o seu trabalho.
Neste mesmo ano, Pomar desloca-se a Espanha, onde estuda o trabalho de Goya, o qual marcará fortemente a sua pintura, por exemplo, os seus trabalhos de 1957, Maria da Fonte e Cegos de Madrid. Um ano depois faz a sua primeira viagem a Paris. E, em 1952, expõe desenhos, aguarelas, guaches e cerâmicas na Galeria de Março.
Estes são anos de frutífero convívio e partilha com intelectuais e artistas, e em que executa retratos de figuras como Maria Lamas, Carlos de Oliveira, Mário Dionísio e outros. Participa ainda em 1953 na experiência colectiva de descoberta e encontro com as raízes de um povo, nos arrozais ribatejanos, com Alves Redol e com artistas neo-realistas, e que ficou conhecida pelo Ciclo do Arroz.
Em 1956 executou alguns vidros artísticos, com Alice Jorge, na Fábrica-Escola Irmãos Stephens, na Marinha Grande. Nesse ano, em conjunto com outros artistas, como Rogério Ribeiro e José Júlio, funda a Gravura, Cooperativa de produção e divulgação de obras gráficas, da qual será o principal animador até 1963. A arte da gravura surge com uma intenção democrática, numa vontade de aproximar a arte do povo. Até 1956, Júlio Pomar usa essencialmente o linóleo e a xilogravura, técnicas que exigem menos aparelhagem. Com os recursos que a Cooperativa proporciona, lança-se em novas explorações temáticas e expressivas, através da água-tinta, do buril e, mais tarde na litografia e na serigrafia. A sua dedicação a esta forma de arte, é distinguida com Prémio de Gravura na I Exposição de Artes Plásticas da F.C.G., em 1957.
Data deste ano a obra ‘Maria da Fonte’, “expressão de esperança transparente” [Ernesto de Sousa, 1960], é considerada um marco da pintura portuguesa, e ao mesmo tempo, um final de ciclo em Júlio Pomar.
Em 1958, viaja até Itália, alargando os seus horizontes artísticos e estéticos.
Pomar, em 1960, realiza trinta pequenas pinturas a preto e branco para ilustrar uma versão de D. Quixote, de Aquilino Ribeiro, seguidas por outros trabalhos de escultura e pintura versando o mesmo tema. Neste mesmo ano dá inicio à série Tauromaquias.
Representado no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu de Arte Contemporânea, no Museu de Arte Moderna do Porto, no Museu da Cerâmica, no Museu Nacional do Azulejo, no Museu do Neo-Realismo, no Museu Municipal de Arte Moderna Abel Manta, no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro, no Museu Assis Chateaubriand de São Paulo, no Fonds National d’Art Contemporain de Paris, no Musée de Beaux Arts de Bruxelas e em muitas outras colecções públicas e privadas.

 

Exposições Individuais (selecção):

1947 - 25 desenhos, Galeria Portugália, Porto
1950 - Pomar (pinturas, desenhos, esculturas e cerâmicas), SNBA, Lisboa
- Galeria Portugália, Porto
1951 - Pomar (pinturas, desenhos, esculturas e cerâmicas), Galeria Portugália, Porto
1952 - Pomar (desenhos, monotipias, cerâmicas), Galeria de Março, Lisboa
1956 - Vidros, com Alice Jorge, Galeria Rampa, Lisboa
1960 - PomarObras sobre o tema de D.Quixote, Galeria Gravura, Lisboa

 

Exposições Colectivas (selecção):

1942 - Exposição de grupo, no seu atelier na Rua das Flores, Lisboa
- VII Exposição de Arte Moderna do SPN/SNI
1944 - Exposição dos Independentes, Coliseu, Porto
1945 - I Exposição de Arte Moderna dos Artistas do Norte, Porto
- IX Missão Estética de Férias, Évora, SNBA, Lisboa
1946 - Exposição da Primavera, Ateneu Comercial Porto
1946/56 – I a X Exposições Gerais de Artes Plásticas, SNBA, Lisboa
1949 - I Exposição de Pintura Moderna, Vértice, Delegação de ‘O Primeiro de Janeiro’, Coimbra, Junho 1949
1953 - II Bienal de Arte Moderna de São Paulo, Brasil
1956 - Exposição de Artistas de Hoje, SNBA, Lisboa
1957 - Gravura Portuguesa Contemporânea, Galeria Gravura, Lisboa
- I Exposição de Artes Plásticas, FCG, Lisboa
- I Bienal Internacional de Gravura Contemporânea, Tóquio
1958 - I Salão de Arte Moderna, SNBA, Lisboa
1959 - II Salão de Arte Moderna, Gravura, SNBA, Lisboa
- Salão da Jovem Gravura, Museu de Arte Moderna, Paris
1960 - III Salão de Arte Moderna, Gravura, SNBA, Lisboa