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logotipo Museu Neorealismo

M. Ribeiro de Pavia

[N. Pavia, 1907 – M. Lisboa, 1957]

imagemManuel Ribeiro nasceu em Pavia, terra alentejana do qual adoptou o nome. Foi desenhador, ilustrador, aguarelista, gravador, e um dos maiores valores do neo-realismo português, no campo das artes plásticas.

Quando vem para Lisboa, em 1929, inicia a actividade de desenhador e de ilustrador. Mas o seu Alentejo natal, memória de extrema pobreza, planície dourada de pão, encontra-se sempre nos seus desenhos e gravuras, e nos projectos para murais que não conseguiu ver concretizados; a sua obra de temas campesinos, de mulheres e homens trabalhadores, mas igualmente abordando a ternura da maternidade, revela-se sempre com força renovada e criadora, constituindo um espólio inconfundível. Numa procura constante por novos apuramentos gráficos, os seus processos pictóricos e figurativos vão amadurecendo numa economia de meios a que era obrigado por contingência económicas. Dos milhares de desenhos que fazia a par das ilustrações para livros, poucos eram expostos, antes eram generosamente ofertados aos amigos que deles se encantavam.
Como ilustrador, exerceu reconhecidamente uma influência fundamental na modernidade das artes gráficas portuguesas, quer através de capas, quer de inúmeras ilustrações que realizou para livros de escritores neo-realistas e de outros seus contemporâneos.
Na 2ª Exposição Geral de Artes Plásticas viu apreendido uma das suas obras, pela PIDE. Participou, de 1946 a 1953 nestas Exposições da SNBA, nas secções de Desenho e de Gravura.
Em 1950, a Editorial Inquérito publica um Álbum com de 15 desenhos, Líricas, dedicados ao poeta José Gomes Ferreira. Sobre este álbum e sobre as influências na sua arte e no papel do artista, Pavia dá uma interessante entrevista, dois anos depois, ao Jornal ‘Ler’.
Morre a 19 de Março de 1957, sem família, como tinha vivido, quase ignorado, na miséria, no seu quarto-atelier, numa pensão na Rua Bernardim Ribeiro, em Lisboa, qual “Príncipe sem vintém e sem queixas” [José Gomes Ferreira].
Após a sua morte, em Maio de 1957, a revista Vértice, publicou um número especial com depoimentos de intelectuais, testemunho vivo da sua actividade na vida artística portuguesa.
No ano seguinte, um grupo de amigos de Pavia realiza na SNBA, a primeira exposição retrospectiva da sua obra.
As suas obras estão em várias colecções privadas: do Arq. Keil do Amaral, Eugénio de Andrade, João José Cochofel, Fernando Namora, Mário Soares, etc., e, principalmente, na Casa-Museu que detém o seu nome.

 

Exposições Individuais:

1958
- Exposição Retrospectiva, SNBA, Lisboa

 

Exposições Colectivas:

1946-53
– I a VII Exposição Geral de Artes Plásticas, SNBA, Lisboa

1955
- Modernos Gravadores Portugueses, Galeria Artes e Letras, Lisboa

1956
- Gravura Portuguesa Contemporânea, Galeria Pórtico, Lisboa