Passar para o Conteúdo Principal

logotipo Museu Neorealismo

José Cardoso Pires

[N. S. João do Peso (Vila de Rei), 1925 – M. Lisboa 1998]

imagemEscritor.

Frequentou o curso de Matemáticas Superiores da Faculdade de Ciências, que não concluiu. Trabalhou na Marinha Mercante, que foi obrigado a abandonar. A partir de então, toda a sua actividade profissional movimentou-se em torno da escrita, como director literário de várias editoras, como director da revista Almanaque, chefe de redacção da revista Eva e director-adjunto do Diário de Lisboa.
Em 1969, foi nomeado leitor no departamento luso-brasileiro do King’s College, de Londres, onde ficou até 1971, mas regressando a esta cidade em 1979, como “resident writter” na Universidade.
Mantendo amizade com diversos elementos dos grupos surrealistas de Lisboa, isso não o impediu de se aproximar dos neo-realistas, com quem conviveu e estabeleceu amizades duradouras, mostrando nos seus escritos as mesmas preocupações destes últimos, apesar de seguir outras influências estéticas.
Considera-se como iniciador de uma 2ª vaga de neo-realistas, com Os Caminheiros e Outros Contos, de 1949.
Colaborou nos jornais Gazeta Musical e de Todas as Artes, Diário de Lisboa, Jornal do Fundão, O Jornal e Público e nas revistas Afinidades (do Instituto Francês de Lisboa), Vértice, Almanaque e em vários jornais estrangeiros.
Realizou várias traduções. É dos escritores portugueses mais traduzidos e, também, um dos mais premiados em Portugal e no estrangeiro.
Tem várias obras adaptadas ao cinema, de que se destacam Balada da Praia dos Cães, de José Fonseca e Costa e O Delfim, de Fernando Lopes.
Interessando-se continuamente pela política nacional e internacional, foi um opositor do Estado Novo, participando em várias iniciativas da “oposição”. Foi membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Escritores e, em 1963, foi delegado ao Encontro de Escritores Peninsulares (clandestino), realizado em Barcelona.

 

Obras:

Ficção: Os Caminheiros e Outros Contos, 1949; Histórias de Amor (contos, 1952);
O Anjo Ancorado (novela), 1958; Jogos de Azar (contos), 1963;
O Hóspede de Job (romance), 1963; O Delfim (romance), 1968; Dinossauro Excelentíssimo (fábula), 1972; O Burro em Pé (contos), 1979; Balada da Praia dos Cães (romance), 1982; Alexandra Alpha (romance), 1987; A República dos Corvos (contos), 1988;
De Profundis, Valsa Lenta (memórias), 1997;
Teatro: O Render dos Heróis, 1960; Corpo-Delito na Sala de Espelhos, 1980;
Crónica: A Cavalo no Diabo, 1994; Lisboa/Livro de Bordo, 1997;
Ensaio: Cartilha do Marialva, 1960; E Agora, José?, 1977