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Candido Portinari em Portugal

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20 Out 2018 a 03 Mar 2019

Curadoria de Raquel Henriques da Silva e Luísa Duarte Santos

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Candido Portinari em Portugal centra-se num encontro entre a modernidade brasileira e a modernidade portuguesa. Tratava-se de reivindicar a revolução artística como percurso para a revolução política. Os seus protagonistas são, de um lado, «o pintor do povo brasileiro» e, do outro, intelectuais e artistas do movimento neo-realista português. Esta aventura tornou Candido Portinari um dos artistas estrangeiros do século 20, mais estudados e coleccionados em Portugal.

A fama do pintor estava já consolidada pelos seus murais e pela sua premiação nos Estados Unidos com a obra Café. Foi exactamente esta pintura que desencadeou a recepção de Portinari em Portugal, reproduzida com destaque na revista Sol Nascente e, pouco depois, vista ao vivo no Pavilhão do Brasil da Exposição do Mundo Português, em 1940.

Em 1946, convidado para expôr em Paris, Portinari fez questão de parar em Lisboa para conhecer Mário Dionísio. A partir daqui a presença de Portinari tornou-se constante, através da publicação de diversos artigos sobre a sua obra, considerada paradigmática de uma arte realista e social: ele dotava de expressão política, social e artística o «povo trabalhador», assumindo um interesse humano pela sua vida e pelas suas difíceis circunstâncias - fossem de um, ou do outro lado do Atlântico.

À volta da história destes encontros e afinidades, constrói-se esta exposição, também ela fruto de uma rede de generosidades, entre as quais, e desde logo, do Museu de Belas-Artes do Rio de Janeiro e da sua obra Café, do Museu Nacional de Arte Contemporânea, do Museu Nacional de Soares dos Reis, do Museu Calouste Gulbenkian e da Colecção Millennium BCP. Fundamental é também a documentação proveniente da Casa da Achada-Centro Mário Dionísio e do Museu Ferreira de Castro, que se junta aos acervos do Museu do Neo-Realismo.

Quando, em 31 de Maio de 1946, Mário Dionísio entrevistou Portinari, intitulou o texto, publicado em O Globo, «Com Portinari, no Tejo». Estava-se em Lisboa nos anos esperançosos do imediato pós-guerra. Portinari teria gostado de subir o Tejo e parar em Vila Franca de Xira onde o ideário Neo-Realista tem uma das suas referências maiores. Setenta e dois anos depois, o Museu acolhe-o, em diálogo renovado com os portugueses, e evocando trocas culturais que contribuíram e prenunciaram a construção do mundo globalizado deste nosso tempo.

Patente de 20 de outubro de 2018 a 3 de março de 2019.

Curadoria de Raquel Henriques da Silva e Luísa Duarte Santos.