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Doação de pintura mural de Nuno San-Payo

Pintura no final do restauro  2  1 600 839
18 Jun 2020

Ao Museu do Neo-Realismo

Foi entregue no Museu do Neo-Realismo no passado dia 5 de junho uma pintura mural da autoria de Nuno San-Payo, doada ao Museu pelas herdeiras de Lídia San Payo, irmã do pintor.

A pintura mural encontrava-se numa parede interior de um imóvel da família, que ia ser vendido, o que implicaria a eventual perda deste património, pelo que a sua remoção e preservação, pressupunha uma intervenção especializada.

O mural, uma pintura a seco sobre reboco tradicional assinada pelo pintor Nuno San-Payo, datada de 1955, com as dimensões de 1,87m X 0,70m foi avaliada em vinte mil euros.

Embora tivesse sido executada numa residência privada da família, uma vez que a casa pertencia a uma irmã de Nuno San-Payo, e ainda que traduza um certo cariz bucólico, a composição prossegue uma gramática de feição neorrealista no que respeita ao tema escolhido: o trabalho, a ceifa, o campesinato, temas que pontuaram a intervenção dos autores neorrealistas na década de 1940 e seguinte.

É a única obra de Nuno San-Payo desta tipologia que se conhece, pelo que esta doação muito enriquece o acervo do Museu do Neo-Realismo, não apenas no aumento de obras deste autor no acervo, mas sobretudo pelo ineditismo da tipologia em causa, ou seja, uma pintura mural, que agora apresenta condições para ser exposta num suporte autoportante.

Nuno San-Payo é um autor de referência do neorrealismo português, sendo da sua autoria uma das obras emblemáticas do movimento: Saltimbancos, datada 1951, que integra a Coleção de Artes Plásticas deste Museu, por doação do próprio ainda antes da inauguração do atual edifício. Na mesma ocasião o artista doou ainda as obras Entardecer e Subúrbio, ambas de 1949.

Após a sua morte, que ocorreu durante a exposição antológica Pintor Nuno San-Payo implementada pelo Museu do Neo-Realismo entre outubro de 2013 e agosto de 2014, com o comissariado do Prof. Doutor Rui-Mário Gonçalves, foi doada outra obra pela viúva do artista, Varinas no Cais, de 1950.

Pintura da parede do imóvel

Pintura na parede original

Pintura após remoção da parede e na fase de preenchimento de lacunas

Pintura na fase de preenchimento de lacunas (2)    Remoção da parede do reverso da pintura

Pintura após o restauro

Pintura no final do restauro (2)

  • Nota biográfica

Nuno San-Payo nasceu em Petrópolis, Brasil, em 1926. Filho do fotógrafo português San-Payo, licenciou-se em Arquitetura pela ESBAP - Escola Superior de Belas Artes do Porto e ESBAL - Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Paralelamente à sua atividade enquanto arquiteto desenvolveu um intenso percurso com pintor ao longo de mais de sessenta anos. Integrou a Direção da SNBA - Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, durante 16 anos, seis dos quais como presidente da sua Direção. Participou em júris de concursos e mostras de arquitetura, pintura, medalhística e fotografia. Ilustrou livros, desenhou para revistas e jornais. Fez banda desenhada e realizou figurinos e cenários para o cinema. Ganhou prémios em concursos de arquitetura, de pintura e de artes gráficas. Encontra-se representado no Museu do Neo-Realismo, Museu do Chiado-Museu Nacional de Arte Contemporânea, Fundação Calouste Gulbenkian, Caixa Geral de Depósitos, EPAL, Coleção de Arte Moderna do Funchal, Secretarias de Estado do Comércio e da Indústria, Museu Municipal do Sabugal, Câmara Municipal de Góis, Galeria de Desenho do Museu Municipal de Estremoz, Banco Banif, no Funchal e em várias coleções públicas e privadas.