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Exibição do Documentário 'Tarrafal. Memórias do Campo da Morte Lenta'

Tarrafal 1 600 839
18 Abr 2010

imagem

da autoria de Diana Andringa

Ali é só deixar de pensar. Porque, se não,
morre aqui de pensamentos. É só deixar, pronto.
Os que têm vida ficam com vida.
Nós aqui estamos já quase mortos
.”
[Joel Pessoa, preso político angolano]

Chamavam-lhe o "Campo da Morte Lenta".
Os críticos, naturalmente, que as autoridades, essas, chamaram-lhe primeiro, entre 1936 e 1954, quando os presos eram portugueses, "Colónia Penal de Cabo Verde" e, depois, quando reabriu em 1961 para nele serem internados os militantes anticolonialistas de Angola, Cabo Verde e Guiné, "Campo de Trabalho de Chão Bom".
Trinta e dois portugueses, dois angolanos, dois guineenses perderam ali a vida. Outros morreram já depois de libertados, mas ainda em consequência do que ali tinham passado. Famílias houve que, sem nada saberem do destino dos presos, os deram como mortos e chegaram a celebrar cerimónias fúnebres.
A libertação do campo deu-se em 1 de Maio de 1974. No 35º aniversário desse dia, a convite do Presidente da República de Cabo Verde, Pedro Verona Pires, os sobreviventes reencontraram-se para um Simpósio Internacional sobre o Campo de Concentração do Tarrafal.
O documentário Tarrafal: Memórias do Campo da Morte Lenta, que Diana Andringa nos apresenta, resultou desse encontro.

Diana Andringa, jornalista, nascida no Dundo, Lunda Norte, Angola, em 21 de Agosto de 1947. Frequentou o ensino primário entre a escola (branca) do Dundo e a escola de Rio de Mouro, e o Liceu entre Ramalhão e Oeiras. Frequentou Medicina, mas trocou-a pelo Jornalismo. Presa pela PIDE de Janeiro de 70 a Setembro de 71. Em 1976, publicou em O Século uma série de artigos sobre a extinção da PIDE/DGS. Na RTP, de 1978 a 2001, fez Internacional, reportagem, entrevista e documentários, entre os quais a série Geração de 60, e os guiões de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul injustiçado, Humberto Delgado – obviamente assassinaram-no e Bento de Jesus Caraça, Matemático e Cidadão. Foi Directora Adjunta do Diário de Lisboa por uns meses e presidente do Sindicato de Jornalistas de 96 a 98. Entre 97 e 2003, deu aulas na ESE – Setúbal e na ESCS. Foi também, longamente, cronista (no DN, no Público, na Antena 1). Colaborou na organização do livro Em defesa de Aquilino Ribeiro e publicou Demasiado, Viagem ao Mundo dos Refugiados. Em 2007 co-realizou, com Flora Gomes, As duas faces da guerra, sobre a luta de libertação/guerra colonial na Guiné.