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Mostra de Escultura do Acervo do Museu do Neo-Realismo

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25 Set 2015 a 20 Mar 2016

 “Mostra” concebida e organizada exclusivamente a partir do acervo do Museu do Neo-Realismo.

Apesar de, no campo das artes plásticas, a escultura não ter sido especialmente praticada, o conjunto de obras propostas à fruição de todos, documenta com suficiente nitidez, todos os (muitos) problemas com que se debateu a expressividade visual neorrealista.

Percebemos pois, um ponto fundamental: a existência de uma coerência teórica geral, não pode ligar-se a um programa de produção artística, seja qual for a área em referência. Por isso, consonantes embora com o espírito e a letra de uma movimentação política e filosoficamente sustentada, os artistas neorrealistas não podiam abstrair de um outro, decisivo, vínculo – com o estado atual, os problemas específicos, os desafios e as possibilidades da sua própria arte. A tentativa de redução de um aspeto a outro esteve na origem de todos os mal-entendidos, controvérsias e equívocos, que são um capítulo significativo do neorrealismo.

De tudo isto a  “Mostra” foi um magnífico testemunho. Nela avultou, pela quantidade e dimensão das peças apresentadas, o trabalho de Vasco Pereira da Conceição e de Maria Barreira, que à escultura consagraram a maior parte do seu trabalho artístico. As suas obras expostas deram a ver, justamente, a heterogeneidade de soluções estritamente artísticas que o neorrealismo é. E, neste sentido, mantém um diálogo muito sugestivo com as outras obras apresentadas.

Percebemos que um realismo figurativo, ou melhor: uma figuração mais atenta ao real como facto, do que ao real como possibilidade, é uma sombra ou um fantasma de que o neorrealismo nunca soube ou nunca pôde desembaraçar-se. Mas percebemos também que, nos seus melhores momentos, o neorrealismo não foi estranho a uma espécie de plasticidade do real que o levou ao encontro de algumas soluções abstratas, em coerência com os seus pressupostos e não por qualquer heterodoxia em relação a eles.

A escultura impõe ao artista um elemento que gerou os maiores debates, não só em Portugal: a materialidade irredutível da forma. Por isso, mesmo implicitamente, conduziu uma reconfiguração das relações entre “forma” e “conteúdo”, da qual não é certo que a reflexão estética tivesse extraído todas as consequências possíveis ou necessárias.

Por isso, esta “Mostra” é menos a síntese de uma problemática fechada, do que a proposta de uma reflexão que se reabre, sempre que formos capazes de proporcionar ao pensamento de cada obra o por-vir que lhe é imanente.

Curadoria: António Pedro Pita