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logotipo Museu Neorealismo

Catálogo da Exposição Tudo Existe o que se inventa é a descrição Joaquim Namorado 100 anos

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13 Jun 2016
Preço:
10,00 €

“Durante décadas a imagem de Joaquim Namorado permaneceu inalterada porque, supunha-se, inalterável: um organizador coletivo mais do que um criador original; um poeta e um crítico de obra exígua; um militante ortodoxo; o responsável pela circulação em Portugal da expressão “neorrealismo”; durante décadas o efetivo orientador da revista Vértice; a eterna presença nos cafés de Coimbra, como “agulhador de destinos”; um animador cultural, que redobrou atividade infatigável depois do 25 de Abril.
Esta exposição foi concebida e organizada a partir de um estudo atento do espólio do Poeta e da recolha de elementos inéditos, da consulta de outros espólios e de uma pesquisa aprofundada em novas fontes. E esse estudo infirmou as evidências e as convicções que forjaram, por décadas a imagem do poeta.
Constitui, assim, um passo decisivo para uma redescoberta da intervenção e do percurso de Joaquim Namorado. Dada a efetiva centralidade dessa intervenção, isso implica repensar dimensões várias da cultura portuguesa pós-liberal – porque, se há um traço decisivo na autoconsciência geracional de Joaquim Namorado, é o de que o neorrealismo constitui a consumação de premissas revolucionárias de 1820.
Situa-se aí a reflexão permanente sobre as invenções do realismo (não se trata, pois, de adotar o realismo), a avaliação das heranças culturais (avaliar o legado da Geração de 70 e a importância da obra de Rafael Bordalo Pinheiro), o pensamento da pluralidade da intervenção artística (retomar e desenvolver a lição de Maiakovsky, sublinhar a importância estética do cartaz e da palavra de ordem e valorizar o espaço público como lugar de ocorrência poética). E é ainda nesse quadro que cumpre reler a integralidade de uma obra: uma exigente reflexão sobre a relação entre a expressão artística e o mundo (chamemos-lhe “real”) mediada pelas noções de “rigor” e de “imaginação” – isto é: determinar o ponto certo que a arte inventa (e não capta) para dizer do mundo na sua historicidade –, isso, é o que constitui a obra literária (visivelmente próxima do trabalho de matemática), a saber, as centenas de textos, em verso e prosa, de Joaquim Namorado.
A exposição sinaliza estes tópicos. Com eles, um mesmo-outro Joaquim Namorado virá ao nosso encontro. Esperado. Intempestivo.”

(António Pedro Pita)