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logotipo Museu Neorealismo

Catálogo da Exposição Os Ciclos do Arroz

Os ciclos do arroz1 1 600 839
14 Jun 2016
Preço:
15,00 €

ESGOTADO

“Em 1953 Júlio Pomar, Cipriano Dourado, Lima de Freitas, António Alfredo, Rogério Ribeiro juntam-se a Alves Redol e partem para as lavras de arroz na margem esquerda do Tejo. Vão ao encontro dos ranchos de trabalhadores rurais que por esses meses faziam a campanha do arroz. Mergulham na realidade dura e suada do mundo do trabalho. Criadores artísticos, vêm de gerações diferentes do movimento neo-realista em crise.
Enquanto na Vértice, no Ler, nas páginas literárias de vários jornais, os neo-realistas polemizam entre si em torno do processo de criação artística, do seu empenhamento social, da relação de forma e conteúdo, da validade do realismo, pretende esse grupo como que um regresso às origens, à matriz desse movimento, cuidando assim de revitaliza-lo pelo contacto directo com a realidade, pelo esforço e pela iniciativa colectiva e, sobretudo, produzindo expressão artística concreta dessa realidade social.
Os ranchos que contactam, predominantemente femininos podiam vir de perto, de Coruche, da Glória, de Salvaterra, de Benavente ou Samora Correia e eram de “farnel aviado” ou vinham de mais longe e eram de “beirões”, “ratinhos” ou “gaibéus”, empregando-se na monda e na ceifa mergulhados até aos artelhos, vivendo em cabanas toscas ou em quarteis insalubres, expostos ao sezonismo e à inclemência do tempo.
Os corpos curvados, as mãos ágeis plantando ou mondando, a pausa para as refeições, a cava da lama, os momentos de descanso, a marcha alinhada pelo limite dos canteiros no vaivém da jornada de trabalho passam pelas muitas dezenas de fotografias, esquissos, anotações que servirão de registo inspirador para uma produção intensa, que se traduziu em pintura a óleo, aguarela, têmpera, desenho a tinta-da-china, litogravura, escultura em terracota ou xilogravura.
Em Os Ciclos do Arroz convergem estes dois mundos – o da criação artística e o do trabalho, em que artistas plásticos e escritores encontram na vastidão das terras alagadas, cavadoras, mondinas e plantadoras de arroz, sempre mulheres, invariavelmente jovens, robustas e sensuais, figuras individuais como que descolando-se da dureza do universo social que retratavam.”

Curador, João Madeira