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Museu do Neo-Realismo
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Agenda
- Exposição "Augusto Cabrita - Fotografia (1950-1991)"
curadoria de Augusto António Cabrita e David Santos
Observar a obra de Augusto Cabrita significa ensaiar uma aproximação a um dos nomes centrais da fotografia portuguesa do século XX, mas também a um autor cuja obra transcende as fronteiras do fotojornalismo, da fotografia documental, ou do registo fragmentário do efémero. O seu trabalho inscreve-se numa sensibilidade moderna que, em Portugal, dialoga com uma história mais ampla: a emergência, em meados de Novecentos, de uma fotografia humanista que procurou devolver ao rosto comum, ao gesto e à vida quotidiana uma dignidade visual e moral. Nesse contexto, Cabrita afirma-se não apenas como um repórter atento, mas como um artífice do olhar, capaz de fazer emergir de pessoas, lugares e acontecimentos, algo mais do que a sua superfície visível. A sua fotografia declara-se, assim, como lugar de convergência entre documento e expressão estética, entre testemunho e invenção poética.
O que distingue Augusto Cabrita é a maneira como combina a atenção humana com uma extraordinária inteligência da luz, da sombra e da composição. Se o humanismo fotográfico, em geral, privilegia a empatia e a proximidade, Cabrita acrescenta a esse núcleo uma disciplina formal muito rigorosa, que faz das suas imagens não só documentos afetivos, mas também construções plásticas de grande intensidade.