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Museu do Neo-Realismo
- Dia Mundial da Criança
A infância foi uma temática de grande importância para os neorrealistas, uma vez que a criança se assumia como um dos símbolos da esperança, da emancipação social e potencial transformadora do futuro.
O recurso à infância nas figurações artísticas e literárias (de e para as crianças) combinava, assim, as dimensões líricas e de denúncia, num jogo entre o pessoal e os destinos coletivos, traduzindo-se numa das dimensões mais significativas de construção da contra-hegemonia cultural à política salazarista.
Em Esteiros (1941) de Soeiro Pereira Gomes estas duas dimensões alcançam uma concretização ímpar, através da denúncia das condições laborais e duras condições de vida dos meninos pobres de Alhandra, mas também sobre o lado do sonho e do mundo imaginário que nunca abandonam.
“Maltratados pela vida e apesar da afirmação do narrador de que ‘nunca foram meninos’, os miúdos de Esteiros configuram a infância como um tempo/espaço em que alvoroçadamente se brinca, se chora e se ri, em que se ignora o perigo e se aprende a olhar a vida sem medo. E é precisamente este elemento ‘épico-lírico’ (Viçoso, 2011: 183) que torna verosímil que a viagem a empreender por Gaitinhas e Sagui, a sequente libertação da ‘malta dos telhais’ possa acontecer.”
(Carina Infante do Carmo e Violante F. Magalhães, in Miúdos, a vida às mãos cheias - A infância do Neo-Realismo português, Museu do Neo-Realismo, 2017).
Fonte
Carina Infante do Carmo e Violante F. Magalhães, in Miúdos, a vida às mãos cheias - A infância do Neo-Realismo português, Museu do Neo-Realismo, 2017