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Museu do Neo-Realismo
- É fundado o jornal O Diabo
em 1934
O Diabo foi um semanário de crítica literária e artística, fundado em Lisboa em 1934, data do número espécimen (Ano I, 2 de junho), sendo publicado até 1940 (Ano VII, publicação nº326, 21 de dezembro).
No número espécime justifica-se o título escolhido: “No Diabo dos Cristãos o que nos agrada, o que fascina o nosso temperamento moço e rebelde às ideias feitas e mumificadas em séculos de escravidão mental e social é aquele esplêndido e desembaraçado arreganho não conformista que o levou – soberbo Demónio! – à Insurreição contra o parlamento dos anjos… E porque somos inconformistas pretendemos, por isso, ajudar à salvação das almas dentro das nossas possibilidades modestas, mas bem intencionadas. Satanás que nos perdoe a invocação do seu nome honrado”.
Foi sucessivamente dirigido por Artur Inês, João Antunes de Carvalho (59/62), Ferreira de Castro (63/72), Rodrigues Lapa (73/140), Brás Burity (141/159), Adolfo Barbosa (160/236), Guilherme Morgado (237/274) e Campos Lima (275/326).
Inicialmente apresentou, em consonância com os ideais libertários, uma grande abertura a todas as correntes estéticas. Na sua última fase, a colaboração de escritores militantes ou simpatizantes do ideário marxista e do neorrealismo - Álvaro Cunhal, Alves Redol, António Ramos de Almeida, Antunes da Silva, Bento de Jesus Caraça, Fernando Namora, João José Cochofel, Joaquim Namorado, Manuel da Fonseca ,Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, imprimiu ao periódico um carater particular de oposição ao regime vigente e de afirmação de uma arte social.
Esta crescente politização conduziu ao escrutínio pela censura, com frequentes cortes, que culminou com o seu encerramento em 21 de dezembro de 1940, após a publicação nº326.