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Museu do Neo-Realismo
- Inaugura a primeira das Exposições Gerais de Artes Plásticas
em 1946
As Exposições Gerais de Artes Plásticas (EGAPs) realizaram-se na Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), entre 1946 e 1956, anualmente, com exceção do ano de 1952, em que a SNBA esteve encerrada pela PIDE.
Surgiram no contexto do pós-guerra, impulsionadas pela esperança renascida de transformação política e social de um conjunto de artistas associados ao Movimento de Unidade Democrática (MUD), nomeadamente através da Comissão de Escritores, Jornalistas e Artistas Democráticos desta organização (CEJAD), e da sua integração nos novos corpos gerentes da SNBA.
A primeira destas exposições inaugurou a 3 de julho de 1946 e constitui-se num momento de corte com os valores estéticos anteriores, promovidos pelo regime através do SPN/SNI. Recusando o exclusivismo e o elitismo, implementou-se um programa inovador que rompeu com as práticas anteriores da SNBA, abolindo os júris e os prémios, que passou a centrar-se no autofinanciamento e auto-organização dos artistas, unidos num desejo de independência, de liberdade e de democracia.
A exposição foi um sucesso, tendo sido visitada por milhares de pessoas, sucesso que se alargou à segunda edição, realizada no ano seguinte. Percebendo o real significado político da iniciativa, o regime atuará violentamente sobre a mesma, apreendendo um conjunto de obras expostas, por serem consideradas subversivas. Entre estas encontravam-se obras dos neorrealistas Mário Dionísio, Avelino Cunhal, Júlio Pomar, Lima de Freitas, Manuel Filipe e Manuel Ribeiro de Pavia.
A partir da 3ª exposição, em 1948, as exposições passaram a estar sujeitas a censura prévia. As exposições realizaram-se até 1956, sendo a última uma retrospetiva.
Em 2005 a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira/Museu do Neo-Realismo realizou a Exposição Um Tempo e um Lugar. Dos Anos Quarenta aos Anos Sessenta. Dez Exposições Gerais de Artes Plástica, que teve curadoria de Rogério Ribeiro.
(…) Ao associar-se o tempo e o lugar como titulo deste evento foi na convicção de que se acentuava assim uma das raízes importantes para poder ter acontecido. As condições sociais, políticas e culturais transformaram-se e ganharam uma nova determinação com o fim da guerra, dando a cultura francesa, à qual fortes laços nos ligavam, um exemplo de acção certamente importante dado o espírito “internacional” que então reinava, gerando um espírito de unidade e coragem indispensável ao risco destas iniciativas. O lugar, o amplo salão da Sociedade Nacional de Belas Artes, palco de tantas exposições academizantes, foi também abanado pela onda de liberdade interior contida que precisava de paredes para se mostrar.”Rogério Ribeiro
Fontes
Catálogo da Exposição Um Tempo e um Lugar. Dos Anos Quarenta aos Anos Sessenta. Dez Exposições Gerais de Artes Plásticas, Museu do neo-Realismo, 2005.
https://www.centromariodionisio.org/Imagens_historial/expgap.pdf
Catálogos da 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 6ª, 9ª e 10ª Exposições Gerais de Artes Plásticas, SNBA, 1946, 1947, 1948, 1949, 1951, 1955, 1956