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Museu do Neo-Realismo
- Nascia Alípio de Freitas
em 1929
Alípio de Freitas no MNR, 2 dezembro, 2007.
Alípio de Freitas nasceu em Vinhais, Bragança, a 17 de fevereiro de 1929. Foi padre, jornalista e professor universitário e teve um percurso admirável na luta pela liberdade e no apoio aos movimentos camponeses no Brasil.
Ordenado padre em 1952, foi pároco em Portugal. Em 1957 partiu para o Brasil, onde deu aulas na universidade e fundou uma paróquia de subúrbio, criando estruturas de apoio às populações mais carenciadas.
Em 1962, depois de regressar de Moscovo, onde participou no Congresso Mundial da Paz, rompeu com a hierarquia da Igreja. Envolveu-se na candidatura de Miguel Arraes ao governo do Estado de Pernambuco, na sequência do que é sequestrado por um grupo paramilitar e preso à ordem do exército. Em risco de ser deportado para Portugal, onde seria preso por ter participado em atividades políticas contra Salazar, adquiriu cidadania brasileira e tornou-se cofundador das Ligas Camponesas.
Na sequência do golpe militar em 1964 exilou-se no México, seguindo depois para Cuba, onde recebeu treino militar. Em 1966 regressou clandestino ao Brasil.
Enquanto dirigente do Partido Revolucionário dos Trabalhadores, em 1970, volta a ser preso e sujeito a várias torturas. Foi libertado em 1979, saindo da prisão como apátrida. Os relatos destes anos na prisão foram compilados no livro Resistir é Preciso (1981, no Brasil).
Depois de passar por Moçambique, onde trabalhou num projeto com camponeses, regressou a Portugal, em 1984, e tornou-se jornalista na RTP, onde permaneceu até 1994.
Participou em vários movimentos sociais e foi co-fundador da Casa do Brasil de Lisboa e da Associação José Afonso.
Em 2007, na homenagem que o Museu do Neo-Realismo prestou a José Afonso, Alípio de Freitas esteve com José Mário Brando no MNR para nos falar sobre o seu amigo e artista que o imortalizou numa canção.
Faleceu em Lisboa a 13 de junho de 2017.
Fontes
https://www.esquerda.net/artigo/morreu-alipio-de-freitas/48645
Alípio de Freitas, Resistir é Preciso, Memória do tempo da morte civil do Brasil, Âncor Editora, 2018.