-
Museu do Neo-Realismo
- Nascia Álvaro Guerra
em 1936
Álvaro Guerra nasceu a 19 de outubro de1936 em Vila Franca de Xira. Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, foi escritor, político, diplomata e jornalista.
Entre 1961 e 1963 combateu na guerra do ultramar, onde foi ferido. Em 1964 parte para França para estudar publicidade na École des Hautes Études da Sorbonne e aí permanece até 1969. Após o regresso a Portugal liga-se ao jornalismo, tendo colaborado no Jornal República, que se evidenciou na luta contra a ditadura, onde fazia a ponte com os generais de Abril. Esteve envolvido na fundação do jornal vespertino A Luta. Foi um dos poucos civis com envolvimento ativo na preparação do golpe militar de 25 de Abril.
Após o 25 de Abril foi Diretor de Informação da RTP, conselheiro do Presidente da República António Ramalho Eanes, tendo depois abraçado a carreira diplomática. Foi embaixador na Jugoslávia, Zaire, Índia, Suécia e no Conselho da Europa, em Estrasburgo.
Em 1967 estreia-se como romancista com a publicação do romance Os Mastins. O prefácio do romance foi redigido por Alves Redol que a dado momento refere que “Em certas épocas o local onde se nasce ou se cresce para a vida, mesmo que tal ocorra já na idade adulta, conta mais do que os liames do sangue. Vila Franca de Xira é um desses lugares.” De facto, Álvaro Guerra manteve ao longo de toda a sua vida uma forte ligação à sua cidade natal, onde vem a falecer a 18 de abril de 2002.
São precisamente as conversas desenvolvidas no mais “castiço” café de Vila Franca de Xira que inspiram a chamada “trilogia dos cafés” – Café Central, Café República e Café 25 de Abril, talvez a sua obra mais conhecida, que relata fases marcantes da História de Portugal vividas numa vila ribatejana.
Da sua obra destacam-se ainda O Disfarce (1969); A Lebre, (1970), considerado o melhor livro de ficção publicado nesse ano; Crimes Imperfeitos (1990); Razões do Coração (1991); Crónicas Jugoslavas (1996), Grande Prémio de Crónica da Associação Portuguesa de Escritores em 1997; e No Jardim das Paixões Extintas (2002).
A sua forte ligação às raízes culturais de Vila Franca de Xira, nomeadamente à tauromaquia, encontra expressão nos livros Esboços para uma Tauromaquia (1994) ou Eurotauromaquias (2001). Como escreveu José Jorge Letria acerca do escritor, "a sua cultura cosmopolita e, ao mesmo tempo, profundamente enraizada na memória local que tão grata lhe é", são "o elemento estruturante de uma identidade que marca os momentos fulcrais do seu percurso como homem".
Em 2004 a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira organizou uma exposição em sua homenagem – Álvaro Guerra, Razões de Liberdade.
Em 2016, por ocasião do 80º aniversário do seu nascimento, a Câmara Municipal inaugurou um busto de Álvaro Guerra junto ao rio e à Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira.
Fontes
Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. VI, Lisboa, 1999
Catálogo da Exposição Álvaro Guerra, Razões de Liberdade, Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, 2004.