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Museu do Neo-Realismo
- Nascia Álvaro Perdigão
em 1910
Álvaro Perdigão nasceu em Setúbal a 22 de Maio de 1910.
Estudou no Liceu Bocage em Setúbal e teve os seus primeiros contactos com o ensino da pintura no atelier de Lázaro Lozano entre 1927 e 1929. Estudou na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa e fez o Curso de Cenografia do Conservatório de Lisboa.
Realizou a sua primeira exposição individual no Clube Naval Setubalense em 1929 e a partir daí expõe com regularidade em exposições coletivas e individuais em Portugal e no estrangeiro. Participou nos Salões da Sociedade Nacional de Belas-Artes, do SPN/SNI, nas Exposições Gerais de Artes Plásticas, no Salão Estoril da Junta do Turismo da Costa do Sol. Foi sócio da Sociedade Nacional de Belas Artes e na década de 50 pertenceu aos seus corpos gerentes, como vice-presidente da direção.
Foi professor do ensino técnico na Escola Industrial Marquês de Pombal de Lisboa em 1948 e Professor no Curso de Pintura da Casa Pia entre 1950 e 1980. Integrou o Grupo Paralelo em 1974 com António Carmo, Cipriano Dourado, Teixeira Lopes, Rogério Amaral, João Hogan, Querubim Lapa, entre outros.
A sua obra plástica desenvolveu-se ao longo de grande parte do século XX, desde o final dos anos 20 ao início da década de 90, com particular incidência na prática da pintura a óleo, da aguarela e do desenho, abordando também a gravura, a monotipia, alguma cerâmica e ilustração(...). A sua pintura foi fiel, sobretudo, ao modelo, isto é, à natureza, com as suas paisagens e marinhas; ou à figura humana, retratando familiares e gentes simples nas suas atividades ligadas ao mar e ao cultivo da terra, temáticas afins ao universo do neorrealismo. Mas Álvaro Perdigão cultivou também um outro olhar, descobrindo e explorando motivos inesperados, por vezes, tangenciais à ordem do fantástico.*
Faleceu em Lisboa a 10 de março de 1994.
Em 2012 o Museu do Neo-Realismo realizou a exposição Motivo Imprevisível - exposição antológica de Álvaro Perdigão. Com curadoria de Cristina Azevedo Tavares e David Santos, esta exposição pretendeu dar a conhecer uma parte significativa da sua vasta produção, quer mostrando as obras mais significativas, que se constituem, por diversas razões, como ancoradouros reveladores do essencial da sua proposta estética, assim como outras praticamente desconhecidas, mas onde a sensibilidade do artista – o seu modo peculiar de ser – confirma uma singularidade notória.
*David Santos, in Catálogo da Exposição Motivo Imprevisível, exposição antológica de Álvaro Perdigão, Museu do Neo-Realismo,2012, p.9
Fonte
Catálogo da exposição Motivo Imprevisível - exposição antológica de Álvaro Perdigão, Museu do Neo-Realismo, 2012.