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Museu do Neo-Realismo
- Nascia Augusto dos Santos Abranches
em 1912
Augusto dos Santos Abranches foi poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta, crítico, jornalista, artista plástico, livreiro, editor, tendo o seu percurso singular sido fortemente pautado pela prática e estímulo do intercâmbio cultural no mundo lusófono.
Nasceu em Paul, Covilhã, a 4 de março de 1912. Em 1935 funda em Coimbra a Livraria-Editora Portugália, que virá a tornar-se ponto de encontro dos fundadores do neorrealismo. Em 1939 aparece como “editor” da revista Altitude, onde faz a sua estreia poética (3 poemas). Em 1942 publica o seu primeiro livro, Poemas de Hoje e um ano mais tarde a sua peça de teatro As Várias Faces e o segundo livro de poemas, Tufão, inspirado pela Guerra. É um dos fundadores da revista Vértice.
Mais tarde parte para Moçambique onde, em 1944, se torna funcionário da Livraria Minerva, que editará o seu estudo Contorno de Eça e começa a colaborar assiduamente e a dirigir suplementos culturais na imprensa moçambicana e a praticar e estimular o intercâmbio cultural no mundo lusófilo.
Em 1955 segue para o Brasil, onde se emprega como desenhador de uma fábrica de fornos e estufas e mais tarde na paulistana Livraria Internacional. Em 1958 publica no Rio de Janeiro o estudo Um Retrato de Marques Rebelo. Torna-se funcionário propagandista itinerante da editora e livraria Francisco Alves.
Em 1962 é emitido pela PIDE um “pedido de captura” do “nacional Augusto dos Santos Abranches, com residência no Brasil”, o que o obriga, embora já com graves problemas de saúde, a transitar por empregos precários.
Faleceu a 7 de maio de 1963.
No âmbito do centenário do seu nascimento, o Museu do Neo-Realismo prestou homenagem a Augusto dos Santos Abranches, com a organização da exposição Augusto dos Santos Abranches: escritor e agitador cultural da lusofonia, com curadoria de Arnaldo Saraiva, e edição do respetivo catálogo.
“Augusto dos Santos Abranches deixou poucos e breves livros; mas em jornais e revistas de três continentes dispersou colaboração que, com os inéditos que dele se guardam, daria para vários volumes; o espantoso é que nunca ninguém lhe tenha dedicado uma tese ou um estudo de fôlego, que merece. E mesmo que se relativize a sua qualidade de poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta, cronista, ou de artista plástico, nunca poderá esquecer-se o seu empenho de intelectual no combate antifascista e o seu papel de animador e agitador cultural em Portugal, em Moçambique e no Brasil. Como também não poderá esquecer-se que ele foi sempre um homem cordial, vertical e solidário.”
(Arnaldo Saraiva)
Fonte
Catálogo da exposição Augusto dos Santos Abranches: escritor e agitador cultural da lusofonia, Museu do neo-Realismo, 2014.