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Museu do Neo-Realismo
- Nascia Baptista Bastos
em 1934
O escritor, jornalista e ensaísta, Armando Baptista Bastos nasceu no Bairro da Ajuda em Lisboa a 27 de fevereiro de 1934.
Estudou na Escola António Arroio e no Liceu Francês, tendo iniciado a sua carreira profissional no jornalismo em O Século aos 19 anos. Em 1953 foi subchefe de redação de O Século Ilustrado, onde assina uma coluna de crítica, Comentário de Cinema, iniciando um estilo jornalístico inovador, controverso e polémico.
Trabalhou nas redações dos jornais Gazeta Musical de Todas as Artes, República, Europeu, O Diário, Época, Sábado, nas revistas Seara Nova e Almanaque e durante duas décadas no Diário Popular. Colaborou nos periódicos Jornal de Notícias, A Bola, Tempo Livre, Público e Diário Económico. Foi crítico em diversos jornais, nomeadamente no Jornal do Fundão, Correio do Minho, Expresso e Jornal de Letras, Artes e Ideias. Desempenhou funções de redator da Agence France Press em Lisboa. Fundou nos anos 80 o semanário O Ponto.
Colaborou na rádio, nomeadamente na Antena 1 e na Rádio Comercial, onde leu crónicas suas e na televisão, onde apresentou na SIC o programa Conversas Secretas entre 1996 e 1998.
Foi ainda docente na Universidade Independente (2003-2004), onde lecionou a disciplina de Língua e Cultura Portuguesas.
O arranque como escritor está “claramente ligado a dois universos de referência na cultura portuguesa do séc. XX: o jornalismo, (da reportagem à crónica) e o movimento cultural oposicionista do neorrealismo (da literatura à política). Na verdade, em meados dos anos 50, o eco contestatário da literatura neorrealista apurou em Baptista-Bastos uma ética intelectual e um desejo de transformação da sociedade portuguesa que não mais abandonariam as cinco décadas da sua profícua vida literária. Os temas da justiça social e da força aglutinadora das ideias traduzem em milhares de artigos e dezenas de livros publicados, entre entrevistas, ensaio e romance, uma profunda convicção na afirmação da humanidade, cultivando um compromisso de envolvimento e partilha (…). “*
Publicou o seu primeiro livro de ensaio, O Cinema na Polémica do Tempo, aos vinte e cinco anos de idade. Na senda deste livro publica em 1962 O Filme e o Realismo. Dez anos mais tarde, em 1969, destaca-se As Palavras dos Outros, obra sobre jornalismo. Em 1973 editou o disco O Sinal do Tempo (crónicas) com música de António Victorino de Almeida (Edições Zip). Realizou também, a convite do Jornal Público, uma série de dezasseis entrevistas sob a designação «Onde é que você estava no 25 de Abril?», posteriormente publicadas em CD-ROM.
Recebeu inúmeros prémios, dos quais se referem os seguintes: Prémio Feira do Livro (1966), Prémio Artur Portela/Casa da Imprensa (1978), Prémio O Melhor Jornalista do Ano (1980 e 1983), Prémio Nacional de Reportagem/Prémio Gazeta (1985) atribuído pelo Clube de Jornalistas, Prémio Casa da Imprensa (1986), Prémio Pen Clube (1987) e Prémio Literário Município de Lisboa (Prémio de Prosa de Ficção) (1987) para o livro A Colina de Cristal, Prémio Porto de Lisboa de 1988, Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários (2002) atribuído, em 2003, ao romance No Interior da Tua Ausência e como consagração de uma obra literária, Grande Prémio da Crónica da Associação Portuguesa de Escritores, atribuído em 2003, ao livro Lisboa Contada pelos Dedos, publicado em 2001, Prémio Gazeta de Mérito (2004) atribuído por unanimidade pelo Clube de Jornalistas, Prémio de Crónica João Carreira Bom/Sociedade da Língua Portuguesa (2005) e Prémio Alberto Pimentel do Clube Literário do Porto, pelo conjunto da obra (2006).
Faleceu em Lisboa a 9 de maio de 2017.
Em 2008 o Museu do Neo-Realismo dedicou-lhe uma exposição biobibliográfica, sob o título Baptista Bastos, Prosador do Mundo, com curadoria de David Santos e Luísa Duarte Santos.
*David santos, in Catálogo da Exposição Baptista Bastos, Prosador do Mundo, Museu do Neo-Realismo, 2008, p. 13.
Fontes
Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. VI, Lisboa, 1999.
Catálogo da Exposição Baptista Bastos, Prosador do Mundo, Museu do Neo-Realismo, 2008.