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Museu do Neo-Realismo
- Nascia Francisco Relógio
em 1926
O pintor Francisco Relógio nasceu no dia 1 de abril de 1926, em Vila Verde de Ficalho, concelho de Serpa, Baixo Alentejo.
Em 1939 fixou residência em Lisboa, onde estudou na escola industrial Fonseca Benevides, mas manteve sempre a ligação à sua terra natal. O Alentejo constitui, aliás, uma referência importante na sua obra, assim como a circunstância histórica da Guerra Civil de Espanha, que marcou a sua geração, e que no seu caso foi vivida de forma muito próxima, por residir em zona raiana.
Inicialmente ligado ao movimento neorrealista, em finais dos anos 40 assume uma linguagem pictórica mais próxima do surrealismo. “A sua obra inicial surge em articulação com o neorrealismo. Explorando fundamentalmente os caminhos do desenho, Relógio definiu, mais tarde, um "hábil formulário gráfico, de lembrança legeriana, para traduzir conteúdos ainda ligados ao neo-realismo […]. As suas figuras, encadeadas numa obsessiva ocupação do espaço, podem jogar decorativamente em grandes superfícies, com efeitos ilusórios por vezes curiosos, num gosto estabelecido entre a «arte nova» e a pop". (França, José Augusto – A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 182)
Além da pintura e desenho, Relógio dedicou-se também à cerâmica e à pintura mural e estudo do azulejo. Foi cenógrafo e figurinista de teatro. Ilustrou textos de escritores e poetas portugueses.
Está representado no Museu Nacional de Arte Contemporânea e em diversas coleções nacionais e estrangeiras.
Faleceu a 20 de julho de 1997.