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Museu do Neo-Realismo
- Nascia Luandino Vieira
em 1935
Luandino Vieira nasceu em Vila Nova de Ourém a 4 de maio de 1935, tendo ido viver para Angola aos três anos de idade, onde passou a infância e a juventude.
Ligado, desde cedo, à oposição à situação colonial, é preso em 1959 e novamente em 1961 pelo envolvimento no movimento de libertação e condenado a 14 anos de prisão. Passou mais de 8 anos no Tarrafal, onde se encontrava quando foi distinguido com o Grande Prémio de Novelística pela obra Luuanda (1964).
Na sequência da atribuição deste prémio, a 21 de maio de 1965 a Sociedade Portuguesa de Escritores é assaltada e vandalizada, sendo extinta pelo Ministro da Educação Nacional, Galvão Teles. A obra, considerada inovadora pelo seu carater de rutura com a norma portuguesa na literatura angolana, foi proibida e os escritores Alexandre Pinheiro Torres, Augusto Abelaira e Manuel da Fonseca, membros do júri, detidos pela PIDE. A referência a este acontecimento foi proibida e O Jornal do Fundão, que divulgou a notícia, foi suspenso temporariamente.
Luandino Vieira foi libertado em 1972, em regime de residência vigiada em Lisboa, onde trabalhou com o editor Sá da Costa até ao 25 de Abril de 1975. Regressou nesse ano a Angola, onde foi diretor da Televisão Popular de Angola e do Instituto Angolano do Cinema. Foi também diretor do Departamento de Orientação Revolucionária do MPLA. No domínio da literatura, foi cofundador e secretário-geral da União dos Escritores Angolanos e secretário-geral adjunto da Associação de Escritores Afroasiáticos.
Regressou a Portugal em 1992, radicando-se no Minho.
A sua obra literária tornar-se-á referência da literatura angolana e africana de língua portuguesa, destacando-se A Cidade e a Infância (1957); A Vida Verdadeira de Domingos Xavier (1961); Luuanda (1963); Vidas Novas (1968); Velhas Estórias (1974); Nós, os de Makulusu (1975); João Vêncio: Os Seus Amores (1979); Kapapa: Pássaros e Peixes (1998); Nosso Musseque (2003); Livro dos rios: De Rios Velhos e Guerrilheiros I (2006); e O livro dos guerrilheiros: De rios velhos e guerrilheiros II (2009), entre outros.
Em 2006 foi galardoado com o Prémio Camões, que recusou por razões pessoais.
Fontes
https://digitarq.arquivos.pt/details?id=4334624
https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/17308.pdf
https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=2273