-
Museu do Neo-Realismo
- Nascia Manuel Guimarães
em 1915
Manuel Guimarães nasceu em Valmaior, Albergaria-a-Velha, a 19 de agosto de 1915.
Estudou pintura na Escola de Belas Artes do Porto e foi pintor, caricaturista e cineasta, sendo considerado o único realizador neorrealista do cinema português.
Em 1942 inicia a sua carreira cinematográfica como assistente do filme Aniki-Bóbó de Manuel de Oliveira. Entre 1946 e 1950 participou em diversos filmes de vários realizadores, tendo sido assistente de António Lopes Ribeiro, Jorge Brum do Canto, Arthur Duarte e Armando de Miranda.
Em 1949 realiza o documentário de curta-metragem O Desterrado sobre a vida e obra do escultor Soares dos Reis e em 1951 a sua primeira longa-metragem, Saltimbancos, obra adaptada do romance de Leão Penedo, Circo. Em 1952 realiza Nazaré, com argumento de Alves Redol, e em 1956 Vidas sem Rumo, com argumento do próprio. Em 1964 realiza O Crime da Aldeia Velha, adaptação da peça homónima de Bernardo Santareno, e em 1965 O Trigo e o Joio, baseado no romance homónimo de Fernando Namora.
Profundamente humanista, Manuel Guimarães manifestou desde muito cedo posições políticas de esquerda e preocupação com as questões sociais, o que está patente na maioria dos seus filmes. As suas obras retratam duramente a sociedade do Estado Novo e por isso foi vítima da censura e o seu trabalho foi sendo esquecido.
Faleceu no dia 29 de janeiro de 1975.
Integrada nas comemorações do centenário do nascimento de Manuel Guimarães o Museu do Neo-Realismo organizou a Exposição Manuel Guimarães, sonhador indómito que teve curadoria de Leonor Areal e esteve patente entre 17 de outubro de 2015 e 30 de abril de 2016.
“Nos cem anos do seu nascimento e passados quarenta sobre a sua morte, Manuel Guimarães é ainda um quase desconhecido. Esta exposição vem fazer luz sobre um cineasta importante e ingloriamente malogrado. Único realizador neo-realista do cinema português, deixou uma obra ímpar, construída tenazmente contra todas as adversidades e mutilada sem perdão pela Censura de então.
Manuel Guimarães morreu precocemente em 1975 – pouco depois de ter podido respirar a liberdade - e o último filme que rodou em 1974, já após a revolução, não pôde acabá-lo. Quem desaparece esquece, e assim a sua memória se diluiu no negrume torturado desses anos que já ninguém queria lembrar, época triste, tempo sem regresso. É a memória deste homem extraordinário, «indómito sonhador», como lhe chamou seu filho, que aqui se procura resgatar.”
Leonor Areal
Leonor Areal é também a realizadora do documentário de 2017 Nasci com a Trovoada, autobiografia póstuma de um cineasta. Nasci com a Trovoada era um projeto de filme autobiográfico que Manuel Guimarães que não chegou a realizar e que Leonor Areal homenageia neste filme, dando-nos a conhecer melhor o realizador a partir de filmes e textos do próprio.
Fonte
Catálogo da Exposição Manuel Guimarães, sonhador indómito, Museu do Neo-Realismo, 2015.