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Museu do Neo-Realismo
- Nascia Sidónio Muralha
em 1920
O escritor Sidónio Muralha nasceu em Lisboa a 28 de julho de 1920.
Muito jovem revelou versatilidade de géneros literários, elegendo como principal a poesia. A adesão do autor ao neorrealismo foi inequívoca. Participou na coleção “Novo Cancioneiro”. Senhor de uma escrita interventiva, nunca deixou de ser crítico, combativo, insubmisso.
Em 1943, iniciou um exílio que marcou o resto da sua vida: primeiro em África, depois, brevemente na Europa, antes de se fixar no Brasil. Mas continuou a publicar na Vértice, revista tribuna do neorrealismo, e esteve sempre próximo de escritores neorrealistas. Publicou também contos, um romance e o singularíssimo volume A caminhada – Livro de vivências.
Nos textos poéticos e nos narrativos, glosou valores e desígnios tão antagónicos à exploração capitalista, ao colonialismo, à guerra, enfim, às injustiças e desigualdades sociais, quanto portadores de uma mensagem de esperança.
Na sua obra multifacetada manteve diálogo com outros artistas, quer dentro do Movimento Neorrealista (com Júlio Pomar e Manuel Ribeiro de Pavia) quer fora dele, com destaque para Fernando Lemos, um dos parceiros com o qual fundou, em São Paulo, a Editora Giroflé, dedicada à literatura infanto-juvenil.
Tal como reiterou em entrevista de 1982, ano da sua morte, Sidónio Muralha sempre cultivou e se afirmou comprometido com o neorrealismo, dando especial atenção aos intérpretes do futuro: as crianças.
Foi autor de um dos volumes da coleção Novo Cancioneiro (Passagem de nível, 1942) e um dos seus principais poetas. Além da poesia escreveu prosa (ficção e ensaio), assim como literatura infantil, género no qual mais se notabilizou.
Publicou ainda, entre outras obras, Bichos, bichinhos, bicharocos (1948);Um personagem chamado Pedrinho – vida de Monteiro Lobato contada às crianças (1970); O companheiro (1975); A amizade bate à porta (1975); Valéria e a vida (1976); A dança dos Pica-Paus (1976); Sete cavalos na berlinda (1977); Todas as crianças da terra (1978); Voa pássaro, voa (1978); Catarina de todos nós (1979); Helena e a cotovia (1979); Film en couleur (1981); Terra e mar vistos do ar (1981); Um punhado de areia (1981); O rouxinol e a sua namorada (1983); A revolta dos guardas chuvas (1988); Os três cachimbos (1999); O trem chegou atrasado (2004).
Faleceu no Brasil a 9 de dezembro de 1982.
O Museu do Neo-Realismo assinalou os 100 anos do nascimento do escritor com a Exposição Sidónio Muralha - Caminhada Insumissa, com curadoria de Violante F. Magalhães e José Raimundo Noras.
Fontes
Catálogo da Exposição Sidónio Muralha: Caminhada Insubmissa, Musaeu do neo-Realismo, 2023.