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Museu do Neo-Realismo
- Segundo Zip Xira
em 1970
Raul Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz ficarão para sempre na memória de quantos, em finais dos anos 60 do séc. XX, assistiram ao programa de TV “Zip-Zip”, momento único da televisão portuguesa, verdadeiro catalisador de uma audiência rendida ao humor inteligente e mordaz do trio de apresentadores.
Em Vila Franca de Xira, com o apoio do Ateneu Artístico Vilafranquense, fenómeno semelhante ocorreu, com o espetáculo “Zip Xira”, levado à cena por um grupo de jovens e inspirado no modelo do programa da RTP.
Entre janeiro e março de 1970, dois espetáculos subiram ao palco e o público vila-franquense acorreu de forma massiva, enchendo a sala para assistir a algo verdadeiramente inovador, um espetáculo em que o humor, a cultura e a arte andavam a par, conjugando ainda atuações de artistas nacionais e locais.
O primeiro ocorreu a 19 de janeiro de 1970 e nele se fez uma evocação a Alves Redol. Os impulsionadores foram João Conceição, Armando Jorge Carvalho, Carlos Alberto Feitor, Carlos Belchior e João Prata Roque. A censura tentou evitar a realização do segundo, que ocorreu a 30 de março do mesmo ano, e onde foram entrevistados o Padre Fanhais, o Padre Vasco Moniz, o futebolista e capitão do Sporting Clube de Portugal José Carlos e o artista de teatro Jacinto Ramos, que leu uma mensagem póstuma de Alves Redol. Os espetáculos, que promoveram um olhar crítico sobre a sociedade na época, viriam a ser proibidos pelo regime, que já não permitiu que se realizasse o terceiro.
Os 40 anos destes eventos foram evocados em 2010 com uma exposição no Café Central de Vila Franca de Xira, numa organização do Ateneu Artístico Vilafranquense e Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - Museu do Neo-Realismo.
Fonte
Câmara Municipal de Bila Franca de Xira (.https://www.cm-vfxira.pt/pages/580?news_id=365).